(Em um lugar onde os pensamentos podem florecer)
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
pavor
As luzes claras e alvas não sutiram o efeito desejado. Talvez não fizessem questão de sutir efeito algum. O cheiro de formol inudou as minhas narinas me fazendo sufocar. A luz do 5° andar piscou e as portas do elevador se abriram, nós, dentro do quadrado , sentimos o clima hostil e mórbido do ambiente. Não havia dúvidas de que nenhum de nós gostaríamos de estar ali, apesar de não nos conhecemos.
A morte parecia estar pendurada nas paredes como quadros de decoração , sorridentes, não via a hora de saltar em cima do primeiro que parasse para observá-la. Admirá-la.
Meu coração se contraia cada vez que via alguém nas macas. Eu me sentia terrivelmente covarde, o sentimento de derrota, dor, compaixão, medo me atingiam em cheio como um soco na boca do estômago, e esse eu já tinha deixado na entrada , na recepção. Eu me sentia covarde porque eu já tinha passado por tantas coisas, tantas dores, mágoas, mas o clima daquele lugar me arrastava para baixo , para o chão como areia movediça que ataca sua vítima derratada pelo cansaço. Eu me sentia inútil. Foi daí que começou a se formar um bolo em minha garganta, eu não aguentava mais, eu não podia lutar , eu queria sair correndo com uma mão na boca pra impedir o grito. O medo. A dor. Ou qualquer coisa que iria sair do meu peito.
Eu odeio hospital. Eu odeio aquele lugar.
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